quarta-feira, 12 de junho de 2019

ALICE NOS TEMPOS MODERNOS

Atrasado, atrasado, atrasado. Em pleno ano de vestibular! Tenho que entregar este relatório urgente. Não tenho tempo a perder. Dormi demais, perdi a hora, perdi a noção do tempo. Tchau, estou com pressa. Tenho que por a matéria em dia! Queria emagrecer 10 quilos em um mês, chegar em São Paulo à uma da tarde. Maldito congestionamento! Não posso esperar, estou atrasado, atrasado, atrasado. Cadê minhas chaves? Esse pedido está demorando demais. Não tenho todo o tempo do mundo! Mas que internet lenta. Tempo é dinheiro. Estou sem tempo, e sem dinheiro. E a paciência? Ela quer medicina, ele quer ITA, a outra quer uma vaga no concurso público. Já, pra ontem. Tem que ser alguém na vida! O sucesso vem antes dos 30. Ou seria dos 20? Sei lá, eu quero mesmo é chegar logo, já estou atrasado, atrasado, atrasado.

Engraçado como se pode querer que as coisas sejam depressa mas o tempo seja lento. Ah, mas o tempo passa muito rápido! Ou será que fui eu que passei correndo? É que eu estava atrasado, atrasado, atrasado, vim voando, feito louco. Detesto esperar! Que ansiedade, curiosidade, vontade, saudade, necessidade, mediocridade. Assim que possível, quanto mais rápido melhor. Que eficaz, me entregou antes do prazo! E o quarto, já arrumou? Porque sua cabeça está toda bagunçada. Se ao menos tivéssemos uma tarde para tomarmos uma xícara de chá... Sexta não dá, tenho compromisso. É, eu também ando muito ocupado, desculpe a correria, estou atrasado, atrasado, atrasadíssimo. Todos estamos, talvez ninguém esteja em dia. Se ao menos o dia tivesse mais horas, os meses mais dias, os anos não fossem tão curtos e a vida fosse mais longa...

Preciso de tempo para me recuperar. Sai correndo, tropecei nos meus próprios pés, cai no buraco dos tempos modernos e bati a cabeça, estou enlouquecendo – virei Coelho Branco mas eu queria mesmo era ser o Chapeleiro.